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ERA UMA VEZ O CINEMA


Pacto Sinistro (1951)

cover Pacto Sinistro

link to Pacto Sinistro  on IMDb

País: USA, 101 minutos

Titulo Original: Strangers on a Train

Diretor(s): Alfred Hitchcock

Gênero(s): Crime, Filme-Noir, Suspense

Legendas: Português,Inglês, Espanhol

Tipo de Mídia: Cópia Digital

Tela: 16:9 Widescreen

Resolução: 1280 x 720, 1920 x 1080

Avaliação (IMDb):
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8.0/10 (116602 votos)

DOWNLOAD DO FILME E LEGENDA

INDICAÇÕES star star star star star

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Fotografia em Preto e Branco (Robert Burks )

Grêmio dos Diretores da América

Prêmio por Direção Excepcional (Alfred Hitchcock)

Sinopse: A premissa de “Pacto Sinistro” é excelente e até certo ponto bem desenvolvida pelo roteiro. A atmosfera do longa, que flerta com o noir, também é bastante interessante. Mas, infelizmente, Alfred Hitchcock não consegue extrair grandes atuações de seu elenco e, o que mais surpreende, não consegue criar muitas cenas marcantes, algo incomum nos filmes do mestre do suspense. Além disso, o longa apresenta algumas cenas que soam falsas e irreais, prejudicando o resultado final. Assim, “Pacto Sinistro” revela-se um filme comum, especialmente por se tratar de uma obra de Hitchcock, e não consegue empolgar.

O tenista profissional Guy Haines (Farley Granger) viaja de trem quando conhece Bruno (Robert Walker), um estranho que sabe muitos detalhes da vida do jogador. Sabendo que Guy planeja se divorciar, Bruno inicia uma conversa, afirmando que odeia seu pai e que tem uma teoria sobre o crime perfeito, onde duas pessoas desconhecidas “trocariam assassinatos” e, desta forma, evitariam suspeitas sobre os crimes. Guy ri da teoria, se despede e vai embora, mas Bruno entende que o tenista concordou com seu plano e parte para matar a esposa dele Miriam (Kasey Rogers), dando inicio a uma dupla perseguição. Enquanto a policia vai atrás de Guy por causa do assassinato, Bruno persegue o tenista para exigir que ele cumpra sua parte no “acordo”.

Escrito pelo trio Raymond Chandler, Czenzi Ormonde e Whitfield Cook, baseado em romance de Patricia Highsmith, “Pacto Sinistro” parte de uma idéia criativa e interessante, criando uma situação inusitada para seu protagonista. A partir de um simples diálogo no trem a respeito da idéia maluca dos assassinatos “cruzados”, o longa desenvolve um thriller de perseguição dupla, pois Guy foge ao mesmo tempo da polícia e do estranho que conheceu no trem. Mas, infelizmente, o longa jamais decola, e confesso que uma idéia mal aproveitada é algo que sempre me incomoda num filme. Apesar de sua atmosfera interessante e da complicada situação do protagonista, muitas cenas soam irreais e comprometem a obra, assim como as atuações artificiais do elenco.

Tecnicamente, “Pacto Sinistro” tem bons momentos, como quando a montagem de William H. Ziegler salta da cena em que Guyafirma querer estrangular Miriam para o plano das mãos de Bruno, num indício do que aconteceria depois. Aliás, o trabalho de Ziegler merece destaque, especialmente no momento em que Guyjoga uma partida de tênis ao mesmo tempo em que Brunose dirige para o local do crime, buscando deixar um isqueiro que incriminaria o famoso jogador. Nesta cena, Hitchcock faz o espectador ficar ainda mais ansioso quando Guy perde o terceiro set, esticando ao máximo aquele momento tenso, que se arrastará pelo quarto set, quando ele vence a partida enquanto Bruno recupera o isqueiro caído no bueiro de maneira artificial, numa improvável trombada com um estranho no parque.

Por sinal, é no parque que o longa tem um de seus bons momentos, quando Miriam passeia de barco e vemos a aproximação de Bruno através das sombras na parede, seguido pelo plano vazio na saída do túnel e pelo grito dela que garante o primeiro susto no espectador. Miriam estava apenas brincando com os rapazes no barco. Mas a brincadeira termina quando ela encontra Bruno, que a mata estrangulada, numa cena marcante, em que vemos o crime através do reflexo na lente dos óculos da moça caídos no chão. Esta atmosfera sombria é mérito também da boa direção de fotografia de Robert Burks, que remete aos filmes noir com suas cenas predominantemente noturnas, destacando-se nas seqüências no trem e em locais fechados, com pequenos fachos de luz entrando pelas persianas das janelas. Além disso, o crime, a investigação policial e a trilha sombria de Dimitri Tiomkin reforçam a aura noir do longa.

Diante da situação complicada em que se meteu, Guy é um personagem interessante, mas infelizmente a atuação de Farley Granger é artificial em diversos momentos, como quando ele reage a noticia da morte da esposa Miriam. Por mais que já soubesse do ocorrido, era de se esperar que ele fingisse alguma emoção diante do senador, até para não levantar mais suspeitas sobre ele. Granger até tem bons momentos, mas, em geral, jamais transmite o incômodo que o personagem exige. Interpretada por Patricia Hitchcock, Barbara é a dona dos comentários sarcásticos que garantem o humor negro e que, aliados aos diálogos sobre assassinatos – como aquele da festa entre Bruno e uma velha senhora –, reforçam o tema na mente do espectador. É ela também que faz Bruno lembrar Miriam, algo indicado através do zoom em seu rosto e da trilha sonora, exatamente a mesma do momento em que ele cometeu o assassinato.

Esta semelhança física entre elas, acentuada pelos óculos, será essencial para a solução do crime, fazendo com que Anne, interpretada por Ruth Roman de maneira doce e sensata, perceba a real ligação entre Guy e Bruno. Já Kasey Rogers faz de sua Miriam uma personagem odiável mesmo com poucos minutos em cena, irritando Guy até o limite, numa discussão em que tanto ela como Granger soam caricatos. Pelo menos, Robert Walker se sai bem como Bruno, mostrando-se inconveniente e assustador enquanto persegue a conclusão de seu plano. Como é comum nos filmes de Hitchcock, a relação de Bruno com a mãe (Marion Lorne) tem importância e acaba refletindo em seu comportamento, como fica claro quando ela conversa com Anne, defendendo o filho com unhas e dentes. Já a relação de Bruno com o pai é bastante complicada, pois o Sr. Antony (Jonathan Hale) sabe da personalidade conturbada do filho, evidenciada quando, sem mais nem menos, ele estoura uma bexiga de um garoto no parque. Bruno é a sombra na vida de Guy, perseguindo-o por todo tempo, seja num museu ou numa quadra de tênis, onde todos olham para a bola e ele foca o olhar em seu “amigo”. Este aspecto poderia tornar o filme mais interessante, mas não é o que acontece, porque Granger não cria empatia com a platéia e, por isso, não nos importamos tanto com seu drama.

 

Elenco: